quinta-feira, 4 de abril de 2013

Safira gigante


Tenho esse anel em mim sem tê-lo algum dia comprado. Não sei como o compraria. Ou por quê. Como o usaria sem ser assaltada, em que cofre guardaria sem ser roubada. Mas aqui está nem sei desde quando. É autêntico, logicamente, e com tudo combina. É igual a outras coisas em mim, tantas. Como a Susi. Essa me lembro quando veio. Aldeia de pescadores em Maceió, na infância. Essa peguei no colo. Posse das quatro meninas de cabelo cor de colorau que moravam no bairro chic da cidade; suas cabeleiras especialíssimas em lugar tão tropical, onde quase tudo que respirasse se cobria de marrom, enriqueciam minha imaginação. Vez ou outra passava um dia com elas.
Seja hoje uma de nós. Tome aqui a boneca Susi, de cabelo cor de estrela, girando graciosa em torno de seu próprio corpo delgado, as pernas de garça equilibradas sobre saltos altíssimos. Venha ao chuveiro conosco, temos sabonete e _ maravilha! _ shampoo, perfume que enternece.
Estava num castelo de cristal, elas madrinhas de Cinderela.
Susi me olhando com ar de superioridade.

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