segunda-feira, 28 de novembro de 2011

NÃO PEGOU


Meu texto que não venceu  o concurso de redação da Biblioteca. Fica para outra vez.

A MELHOR PARTE

 Da Vinci:
“Aprender é a única coisa de que a mente nunca se cansa, nunca tem medo e nunca se arrepende”

Cada coisa agradável que se faça na vida carece de perfeição. As do tipo comer (nham!), beber, dormir, têm seu momento, cansam. Todos os níveis de amar produzem sua parcela de medo. Desfrutes etílicos e fumosos vão trazer arrependimento. Viajar de férias para Dubai, já viu, as companhias aéreas nos dias de hoje são causa certa dos três efeitos colaterais.
Agora, quanto a aprender...
O sumo do aprender é poesia. Lazer. Desde a descoberta de que c+a é ca, s+a é sa, ca+sa é casa, casa tem quatro paredes por fora, algumas outras por dentro, teto, chão mantido limpo, pessoas e conflitos dos quais era possível escolher fugir, deixar que outras meninas se limitassem a arear panelas e cuidar de bebês, e, sentada na raiz do coqueiro, apenas se entregar à leitura de pedaços de jornais velhos, que fossem, chegados nos embrulhos da mercearia, com notícias já de meses digeridas e cuspidas em bagaço pela Censura Federal (a Ditadura imperava), ou se esbaldar com os romances e lendas de fecundos cordelistas, que era um petisco deleitável de retro gosto indelével _ José Camelo, João Ferreira, Athayde, Patativa...
Em suma aprender é: estudar, acompanhar notícia e ver histórias.
Reproduz o movimento de um fole a encher-se de ar, soltar emitindo som significativo, encher-se, esvaziar-se, encher-se... É pulmão. Aprender é respirar.
O abc leva ao infinito da Ciência. De escrever casa, pode-se passar a engenhar moradia, mobiliário, vestuário, saúde, transporte, política, educação, entretenimento...
A notícia, hoje livre do velho papel, flutua no espaço cibernético, integral, quem consumir cuspa o próprio bagaço.





E as histórias, de petisco apreciável vão a nutritivo _ Clarice, Lígia, Nélida, Machado, Rodrigues, Sabino, Ubaldo, Saramago, Llosa, Allende, Duras, Beauvoir, Hemingway, Fitzgerald, Joyce, Miller, Brontë, seguindo para Chekhov, Kafka, Tolstoi, Dostoievsky, podem chegar a Homero, ou vice-versa, o mais lógico, chegar a Feliz Ano Velho, Vergonha dos Pés, a cada novo para ver se é bom.




Aprender é o biscoito fino que Oswald de Andrade ainda espera ver a massa comer. É aqui que sempre se pode ficar, despreocupadamente recostada no coqueiro. Só vai doer se um coco, lá de cima, soltar-se do cacho. Mas aí, é metáfora mesmo...



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